A depressão pós-parto corresponde a um transtorno que afeta as mães e pais após o nascimento do bebé. A chegada de uma criança é uma grande mudança nas nossas vidas e as nossas emoções são afetadas: alegria, medo, excitação, depressão...
É importante distinguir o baby blues da depressão pós-parto. O primeiro é um transtorno leve (mudanças de humor, stress) passageiro, enquanto o segundo apresenta transtornos mais graves, duradouros e deve ser tratado.
Depressão pós-parto: definição
O termo é sujeito a múltiplas controvérsias, mas uma coisa é certa, é uma depressão que ocorre após o nascimento. Podemos defini-la como um episódio não psicótico de transtorno depressivo maior.
Embora alguns psicólogos e psiquiatras admitam que possa ocorrer até 3 meses após o parto, a OMS e os Centers for Disease Control and Prevention admitem que possa ocorrer nos 12 meses após o parto.
Afeta 10-15% das mulheres e este transtorno infelizmente intensificou-se durante a crise da Covid-19.
Sintomas da depressão pós-parto
Apresentamos aqui os sintomas mais frequentes:
- stress e ansiedade sem motivo válido
- tristeza excessiva
- Mudanças de humor: irritabilidade e raiva
- Culpa: por não cuidar bem do seu bebé ou não o amar o suficiente
- Sentimento de não ser um bom pai/mãe
- Incapacidade de passar tempo com o seu filho (forte rejeição)
- Medo ou pânico (principalmente relacionado com o bebé)
- Falta de interesse por si próprio ou pelo bebé
- Perturbações do sono: dificuldades para adormecer ou pelo contrário dormir demasiado
- Cansaço intenso
- Perturbações do apetite
- Sentimento de ser miserável
- Choro incontrolável
- Ter pensamentos suicidas ou de automutilação
Se você ou o seu cônjuge apresentarem estes sintomas, se não estiverem bem, não hesitem DE FORMA ALGUMA em consultar um médico ou um psicólogo. É importante identificar esta doença pois também pode ter consequências no desenvolvimento da criança e sobretudo numa relação mãe-filho ou pai-filho complicada.
Então sobretudo: médico, psicólogo e se precisar de falar LinhaParents
Depressão pós-parto para o pai: possível?
Claro que, embora afete mais mulheres do que homens, este transtorno também ocorre nos pais. Não devem hesitar em falar sobre isso, são igualmente legítimos e devem procurar ajuda.
Os sintomas são geralmente menos visíveis e a raiva, irritabilidade podem ser mais frequentes.
Os fatores de risco
Fatores biológicos
- disfunção da tiroide
- níveis mais baixos de prolactina
- níveis mais elevados de progesterona
- sensibilidade aumentada às mudanças hormonais após o parto
- complicações durante a gravidez e o parto
Eventos stressantes
Que ocorrem durante ou após a gravidez.
- morte de um ente querido
- despedimento
- a chegada do bebé que pode ser muito stressante
- mudança de casa
- dificuldades em criar um vínculo com o bebé
Antecedentes familiares ou pessoais
- depressão no passado
- pai ou mãe sujeitos a depressão ou perturbação do humor
Falta de apoio
- por parte dos familiares, do cônjuge
- um pai/mãe solteiro(a) terá um risco mais elevado
Consequências na criança
Particularmente durante o primeiro ano de vida, o bebé precisa de uma relação amorosa e forte com a(s) sua(s) figura(s) de vinculação.
Um pai/mãe afetado por uma depressão pós-natal pode ter dificuldades em comunicar com o seu filho ou ter interações positivas. Pode ter dificuldades em reconhecer todos os sinais enviados pelo bebé e responder a eles. As expressões faciais e o discurso também podem ser menos empáticos, mais "planos".
O que vai gerar comportamentos diferentes nas crianças: exigentes (gritos, choro) e menos expressões faciais conhecidas e utilizadas.
Todo o seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e social pode ser afetado. O vínculo afetivo entre o bebé e os seus pais, MUITO IMPORTANTE, pode ser perturbado.
Carregar o bebé num porta-bebé de pano ou num porta-bebé é uma solução para favorecer este vínculo afetivo com interações quase permanentes, essenciais para o bom desenvolvimento do bebé.

O que fazer?
A depressão pós-parto trata-se:
- Por antidepressivos
- Um acompanhamento por um psicólogo
Consulte rapidamente o seu médico e um psicólogo que saberão acompanhá-lo. Nada pode substituir um profissional de saúde.
Além destes tratamentos ditos clínicos, é importante cuidar de si e do bebé. Isto passa por:
- uma boa higiene do sono (complicado com o bebé, sabemos, mas peça ajuda ao seu cônjuge ou familiares para revezarem)
- manter um círculo social: ver ou ligar para os amigos, passear com o bebé no porta-bebé ou porta-bebé de pano e conversar com outras jovens mães que são afetadas por este transtorno
- favorecer a criação do vínculo afetivo: pele com pele, manter o bebé constantemente junto a si graças ao porta-bebé de pano e sobretudo responder às necessidades do bebé (para saber mais, clique aqui)
- cuidar de si: atividade física, alimentar-se bem :)
Breve nota sobre o "Baby blues"
A não confundir com a depressão pós-parto, o baby blues ocorre entre o 3º e 6º dia após o parto. A queda brusca de hormonas é responsável pelo Baby blues.
Mudanças de humor, cansaço, stress, irritabilidade são os sintomas recorrentes. Afeta entre 30 e 80% das mulheres.
Quanto tempo dura o baby blues?
Sendo realmente temporário, dura de algumas horas a duas semanas no máximo.
Como evitar o baby blues
Devido a uma queda hormonal, é difícil evitá-lo! No entanto, para que este estado passe rapidamente:
- Descanso +++
- Apoio dos familiares
- Distrair-se e cuidar de si
Fontes
- A Systematic Review of Prevalence and Incidence
- Heterogeneity of postpartum depression: a latent class analysis
- Escala de Depressão Pós-natal de Edimburgo
- A Psiquiatria infantil